Tipos de Depressão

A depressão, problema de saúde considerado muito comum atualmente, apresenta-se de diversas formas. Vamos relacionar aqui, alguns do tipos de depressão, bem como, suas principais características e conceitos.

Depressão com características melancólicas

Para Freud a melancolia é uma psiconeurose narcísica e a depressão um sintoma que pode estar presente em qualquer estrutura psíquica. Ao criar a categoria das psiconeuroses narcísicas Freud se dá conta da insuficiência do modelo neurótico à compreensão da melancolia. Partindo do pressuposto de que as condições da vida pós-moderna interferem na subjetividade, causando uma mudança na estrutura dos sentimentos, propomos o modelo narcísico-melancólico à compreensão das patologias contemporâneas.

O termo “melancolia” tem sido empregado, nas atuais classificações (DSM IV), designando o subtipo anteriormente chamado de “endógeno”, “vital”, “biológico”, “somático” ou “endogenomorfo” de depressão.

A melancolia seria o protótipo das depressões. Parece constituir-se em um grupo mais homogêneo, já que responde melhor a tratamentos biológicos, e para o qual os fatores genéticos seriam os principais determinantes.

Nesse ínterim, Parker e Cols, chamam a “atenção à importância das alterações psicomotoras na melancolia, para eles a principal característica desse quadro”.

Testes biológicos, em exemplo o teste da supressão do cortisol ( quando níveis baixos causam fadiga e baixa de pressão arterial, etc ) pela dexametasona, são mais freqüentemente positivos nos quadros melancólicos do que em outros tipos de depressão.

Depressão com características psicóticas

Identificada com um dos tipos de depressão, são aquelas formas de depressão onde ocorrem delírios e alucinações. Surpreendentemente, essas formas cheguem a 15% dos quadros depressivos.

Incluem delírios de autoculpabilização, de que merecem punição, negação de órgãos e negação da morte.

Neste sentido, observa-se a culpa pela morte de alguém, ou por algum fato que tem acontecido no mundo ou de algo do seu passado. Acredita que tem um órgão doente, que errou muito ou faltou com alguém em alguma época da vida.

Os delírios de estar em constante perseguição, ou sendo controlado. Os pacientes que ouvem vozes que o perseguem e condenam. Vozes desconhecidas ou de alguém já falecido.

Depressões catatônicas

Diz-se que uma depressão caracterizada, sobretudo, por intensas alterações da psicomotricidade, entre as quais:

  • imobilidade quase completa;
  • sideração total;
  • atividade motora excessiva;
  • negativismo;
  • calar-se;
  • repetir ações rituais;
  • repetir frases varias vezes;
  • repetir gestos várias;
  • repetir os gestos de outra pessoa.

Depressões crônicas (distimias)

Considerada um dos tipos de depressão com intensidade mais branda. Os pacientes com depressão crônica (distimia) sofrem por não sentir prazer nas atividades habituais, isto pois, as entendem como lentas e demoradas em suas ações.

Depressões atípicas

Nesta, os pacientes se apresentam queixando-se do peso do mundo nas costas. Além disso, apresentam apetite exacerbado por doces e carboidratos com aumento de peso e muito sensíveis a rejeição sofrida pelas pessoas no seu cotidiano, que em suas percepções são em alto grau.

Depressão Sazonal

O paciente sofre de ciclos da sazonalidade, marcadas anualmente pelo do outono ou inverno.

Muitos desses pacientes têm fases hipomaníacas na primavera, enquadrando-se na classificação do tipo bipolar II (depressões maiores e hipomania). Freqüentemente esses pacientes apresentam algumas características sobrepostas às da “depressão atípica”: fadiga excessiva, aumento do apetite (em particular por carboidratos) e hipersonolência. O DSM-IV inclui o “padrão sazonal” como um especificador do tipo de depressão estudada.

DICA: Confira também sobre transtornos de personalidade aqui.

Críticas ao conceito de “transtorno depressivo maior”

O conceito de depressão maior, como aparece no DSM-IV, é excessivamente abrangente, e por isso mesmo, pouco preciso. Abarca provavelmente uma gama muito heterogênea de condições, que vão desde as fronteiras da normalidade (reações de luto ou tristeza normal) até aquelas formas mais graves de depressão, para as quais provavelmente concorrem fatores mais biológicos (adquiridos e/ou geneticamente determinados).

Para o diagnóstico de “Transtorno Depressivo Maior”, de acordo com o DSM-IV, basta que a pessoa apresente “humor deprimido ou perda de interesse ou prazer, durante um período de duas semanas”, mais quatro sintomas de uma lista de nove (ou mais três sintomas, se os dois primeiros estiverem presentes).

Assim, por exemplo, se uma moça que brigou com o namorado apresentar tristeza e perda de energia por 15 dias, além de mais três sintomas, como insônia, perda de energia e capacidade diminuída de se concentrar, terá preenchido critérios para “Transtorno Depressivo Maior”. Um conceito tão amplo onde traz dificuldade na decisão de medicar ou não o paciente.

Depressão e o espectro dos transtornos bipolares

O transtorno bipolar (TBP) é uma condição psiquiátrica relativamente freqüente, com prevalência na população entre 1% e 2%. É caracterizado, sobretudo, por episódios de alteração do humor de difícil controle – depressão ou mania (bipolar I) ou depressão e hipomania (bipolar II).

Os sintomas podem aparecer em qualquer idade. A etiologia da doença ainda não é conhecida, mas muitos estudos apontam para a existência de disfunções complexas, incluindo alterações nos receptores e nos pós-receptores de neurotransmissores ou carga hereditária.

Ainda assim, estudos e diferentes literaturas expõe dados estatísticos de 1 a 6% da população sendo acometida. Também com grande margem de inicio da doença: do final da adolescência a 3ª década de vida.

Problema grave descrito na psiquiatria é a demora no diagnóstico correto e o conseqüente tratamento adequado ao Transtorno Bipolar (TB). Muitas vezes, os pacientes são erroneamente diagnosticados e tratados como esquizofrênicos, devido aos episódios psicóticos, Contudo, em outros casos, nas formas mais leves do transtorno, como deprimidos, devido ao não reconhecimento de alguns sintomas, como irritabilidade, impulsividade e hiperatividade.1

Uma amostra de 70 pacientes diagnosticados como portadores do Transtorno Bipolar foi coletada por meio da entrevista clínica estruturada para o DSM-IV transtornos do eixo I (SCID-I),4 em atendimento do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), RS, Brasil. Por fim, a demora no diagnóstico desta doença nesta amostra foi de 7,65 anos desde o uso da primeira medicação psiquiátrica.

Descubra como identificar os sintomas da depressão

Referências bibliográficas:

ARAÚJO. Álvaro Cabral. A nova classificação Americana para os Transtornos Mentais – o DSM-5. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-55452014000100007

PORTO, José Alberto Del. Conceito e diagnóstico. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44461999000500003

ROCHA. Clínica Dr. Rocha .Transtornos de Personalidade. Disponível em: https://clinicadrrocha.com.br/psicopatologias/transtornos-de-personalidade/

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